A EDUCAÇÃO ESPECIAL DO NOVO HOMEM SOVIÉTICO E A PSICOLOGIA DE L. S. VIGOTSKI: IMPLICAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES PARA A PSICOLOGIA E A EDUCAÇÃO ATUAIS
SONIA MARI SHIMA BARROCO
repositorio.unesp.br
Este trabalho resulta de pesquisa bibliográfica, num exercício histórico-dialético, e objetiva o estudo das críticas e proposições teórico-metodológicas de L. S. Vigotski (1896-1934) à Defectología soviética [Educação Especial] e suas implicações e contribuições à psicologia e educação atuais, numa fase de crise estrutural do capitalismo. Trabalho com as teses: é preciso considerar o projeto social e o projeto educacional soviéticos, para se conhecer a riqueza que a teoria vigotskiana contém em si, tanto para a educação e a psicologia daquelas décadas iniciais do século XX, quanto para a psicologia e a educação comum e especial do século XXI; a compreensão mais rica e adequada da obra vigotskiana requer o aprofundamento nas formulações do autor no âmbito da Defectología, que se constituiu em campo privilegiado de explicitação das principais defesas de Vigotski acerca da aprendizagem e do desenvolvimento humanos. No trabalho, apresento os fundamentos filosóficos da educação regular na Rússia e União Soviética, e como se constituiu a concepção de educabilidade da pessoa com deficiência no plano mundial e na sociedade russa e soviética. Apresento as defesas marxistas para a educação e a sua aplicação entre os soviéticos pela valorização da coletividade, como princípio e norte educativo e como conteúdo curricular, o que refletia a prática da coletivização na cidade e no campo para a superação da sociedade de classes. Destaco as defesas de Lênin, Krupskaya, Pinkevich, Pistrak, Kalinin, Sokoliansky, Mescheryakov, dentre outros autores russos e soviéticos que escreveram a respeito desta nova educação soviética comum e especial. Considero que os estudos vigotskianos deram corpo a uma nova teoria psicológica para subsidiar uma nova educação, com vistas à formação de um novo homem – com e sem deficiência. Vigotski revela-se revolucionário ao subsidiar uma visão mais integrada da constituição do psiquismo humano, ao defender a possibilidade de humanização, de formação do homem cultural nas pessoas com deficiência. Concluo que as teses tornam-se afirmativas, pois, a proposta educacional e a teoria psicológica voltadas às pessoas com e sem deficiência convergiram para a consolidação da sociedade soviética, e que a formação do homem para a vida coletiva se constituiu em pilar para tanto. Pelo investigado, entendo ser necessário à Psicologia e à Educação atuais valorizarem a história e a realidade objetiva para explicarem a constituição e o desenvolvimento cultural das pessoas com e sem deficiências. A luta marxista, leninista e vigotskiana não era pela inclusão de determinados grupos a um curso de vida comum, mas pelo alcance de um estado de maior consciência e liberdade para todos.