A Compadecida: entre condições arquitetônicas e a cenografia cinematográfica
Rafael Blas
Este trabalho versa sobre a experiência de Lina Bo Bardi na concepção e construção das ambiências de A
Compadecida, longa-metragem dirigido por George Jonas, em 1968, lançado em 1969. Os espaços
construídos, pré-existentes e os não edificados têm importância crucial na criação da visualidade fílmica,
impingindo camadas de compreensão à narrativa. Discussões sobre a pós-modernidade, tropicalismo,
repressão e identidade são ingredientes relevantes no caldo cultural que circunscreve a feitura da película.
O artigo tem como claro objetivo destacar a importância material e imaterial do filme para as histórias da
cinematografia e cultura brasileiras, além de evidenciar o trabalho de Bo Bardi no cinema, eclipsado por
suas demais produções nos vários campos em que atuou. Como metodologia, o contato com fontes
primárias se mostrou condição sine qua non. Entrevistas com personalidades ligadas ao filme, realizadas
pelo autor, e revisão de material publicado à época pela imprensa, embasou esta escrita, costurada pelo
referencial teórico e atenta análise do próprio corpo da obra.
Sob esta perspectiva, o estudo procura identificar os procedimentos projetuais adotados pela arquiteta,
sublinhando sua prática e pensamento crítico no exercício de uma cartografia nacional-popular.
Palavras-chave: Lina Bo Bardi, arquitetura, cenografia, cinema, A Compadecida.