Articulação entre o professor do Atendimento Educacional Especializado (AEE) e o professor do ensino comum: Um estudo das perspectivas do trabalho colaborativo em duas escolas municipais de Fortaleza
Araruna, Maria Rejane
repositorio.ufc.br
Esta tese objetiva analisar as condições para a construção de um trabalho colaborativo entre o professor do Atendimento Educacional Especializado (AEE) e o professor de ensino comum, em duas escolas municipais de Fortaleza, a partir do desenvolvimento de uma pesquisa-intervenção. A literatura científica nacional e internacional (BRAUN, 2012; MENDES, 2006; KAMPWIRTH, 2003; MURAWSKI, SWANSON, 2001) que trata sobre experiências em práticas inclusivas indicam o trabalho colaborativo entre professores como estratégia positiva na resolução de problemas alusivos ao processo ensino-aprendizagem. A revisão bibliográfica e os fundamentos do estudo contemplam pesquisas sobre o trabalho colaborativo, a formação e o saber docente e os pressupostos implicados na transformação das práticas pedagógicas articuladas a teoria da mudança. A metodologia foi a pesquisa-intervenção caracterizada pela produção de práticas pedagógicas coletivas e inovadoras e o compartilhamento do saber no qual os participantes promovem ações com a intenção de mudança. Participaram da pesquisa duas professoras do AEE e oito professoras do ensino comum. O estudo constou de quatro etapas: i. exploratória/inicial; ii. encontros de formação e de trabalho para a planejamento de estratégias colaborativas; iii. execução das estratégias de colaboração entre as professoras; iv. avaliação final. Os resultados indicam que a articulação entre os dois grupos de docentes (professoras de AEE e professoras da sala comum) ocorre de forma assistemática, sem planejamento prévio ou intencionalidade definida, via de regra com vistas a atender a emergência de situações cotidianas junto aos estudantes público-alvo da Educação Especial. Evidenciou-se que, embora as professoras tenham manifestado disponibilidade para a articulação, alguns fatores limitam as iniciativas nesse sentido. As condições de trabalho são incompatíveis com uma perspectiva inovadora do ensino, a sobrecarga de trabalho a que são submetidas os docentes, as condições estruturais e a superlotação nos ambientes em que trabalham, são alguns dos aspectos que desfavorecem sobremaneira a articulação e a efetivação de práticas colaborativas. O estudo realça a necessidade de reestruturação dos horários dos professores para que possam realizar encontros para estudos e colaboração entre eles. Se faz necessário investimento em formações continuadas pelos sistemas de ensino que mobilizem práticas colaborativas e não apenas articulações assistemáticas e fortuitas, que fortaleçam a relação teoria-prática de modo que enfoquem as demandas relativas a esses estudantes. Sob essas circunstâncias, para que o trabalho colaborativo entre os professores aconteça e tenha êxito, deve ser compreendido como um processo em construção e não como um episódio para resolver problemas emergenciais no contexto inclusivo. As condições para o desenvolvimento de um trabalho colaborativo entre os docentes tem grande potencial nas escolas, seus principais desafios são também seus grandes fatores potenciais. Portanto, vincula-se a superação de fatores organizacionais limitadores evidenciados pelo estudo, a partir, notadamente de uma reorganização institucional. Esses são indicadores importantes e condição essencial para a efetivação de práticas inovadoras e colaborativas entre os grupos de professores pesquisados. Destaca-se também, a pertinência do trabalho colaborativo entre esses dois grupos de profissionais na escola, na medida em que poderá contribuir para a mobilização e o desenvolvimento profissional dos docentes e a melhoria dos resultados da aprendizagem dos estudantes e seu processo de inclusão.