Examina-se como o emprego de procedimentos enunciativos presentes no desenvolvimento de textos de natureza literária podem provocar efeitos de estranhamento na percepção a respeito das categorias enunciativas de pessoa, tempo e espaço e sua discursivização. Alicerçando-se em autores como Benveniste (2020, 2023), Bertrand (2003) e Fiorin (1996, 2003), analisa-se um corpus formado por três letras de canções (“Fora de si”, “Amanhã só amanhã” e “O buraco do espelho”) compostas por Arnaldo Antunes. Metodologicamente, para cada texto observado, é dedicada uma seção em razão da categoria enunciativa nele realçada. As análises apontam como as estratégias empregadas nos textos desestabilizam os arranjos convencionais em torno das categorias enunciativas elencadas, chamando a atenção do enunciatário para a inventividade desses modos de dizer.
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